À saída da aula o professor dizia-nos que a carreira a que
aspiramos é muito mais interessante do que a de um contabilista, cujo trabalho
é frio e monótono. Um projeto que desenvolvera tinha acabado de levar uma “nega”
de um “cliente”, então eu não consegui sentir o mesmo entusiasmo pela área e
dei por mim a invejar a vida de um contabilista.
Qualquer trabalho na área das chamadas ciências sociais, ou
humanidades como era no meu tempo, tem muitos imponderáveis e o seu sucesso é
demasiado subjetivo. Pelo contrário, os números são certos e constantes, o
resultado é só um e se seguirmos todos os passos, não temos como falhar.
A rejeição das minhas ideias fez-me duvidar das minhas
capacidades. “Se calhar não tenho talento ou vocação para isto”, pensei. Será
que todos temos uma vocação? Há quem tropece numa carreira e há quem se prepare
para uma. Curiosamente, conheço casos de quem se preparou e que, cedo ou tarde,
se decepcionou com a escolha.
Uma pessoa que me é muito próxima confessou-me no outro dia
que já não gosta daquilo que faz, mas que continua a trabalhar porque precisa de
pagar as contas. Sempre tive dificuldade em aceitar este tipo de fatalismo, por
isso mudei tantas vezes de emprego. Acho que é um espírito comum à minha
geração, esta exigência que o trabalho seja mais do que um meio de pagar as
contas. Contudo, não consigo encontrar algo em que sinta que encaixo que nem
uma luva. Talvez eu esteja é a perder a fé em mim mesma.
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