domingo, 16 de março de 2014

Da Educação I

Na passada Sexta-feira, a minha irmã e cunhado foram visitar vários colégios para a minha sobrinha. Como pais, querem proporcionar à Laura a melhor formação académica que lhes é possível, e por isso estão a avaliar várias hipóteses.
Fiquei contente por saber que há vários colégios a incluir desde cedo programas de educação física, línguas e música. Para além de saberem ler, escrever e contar, é importante que as crianças desenvolvam as suas capacidades motoras e a sua sensibilidade através das artes.
É uma enorme responsabilidade estar envolvido na formação de um ser humano. Durante a gravidez, a minha irmã leu vários livros sobre bebés e como os pais podem ajudá-los no seu crescimento. Não querendo, minimizar o seu mérito, no Natal passado ofereci à minha irmã “O Elemento”, de Ken Robinson. Aconselho todos os pais tomarem conhecimento do ponto de vista disruptivo de Robinson acerca da formação académica: http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity
Na minha vida profissional, já leccionei no ensino primário e no ensino superior, e embora, diferentes públicos ditem diferentes métodos, em todos tentei fomentar a criatividade. No ensino superior, o meu grande objetivo não foi criar esponjas de conhecimento que absorvessem todos os conceitos teóricos (que transmiti, pois são a base), e que repetissem os mesmos trabalhos académicos de anos anteriores (o que promove o facilitismo do plágio), mas desafiar os estudantes a criar algo original. Foi muito gratificante ver os meus alunos apresentarem propostas para ações promocionais, organizarem uma conferência e concretizarem ações de angariação de fundos. E mais importante do que a minha realização profissional, foi testemunhar a satisfação pessoal dessas pessoas.
Porque a vida é feita de experiências, de tentativas e erros, há que dar espaço à autonomia do pensamento e à criatividade. E há que ter em conta que o tempo que nós passamos na nossa formação académica, coincide com o tempo em que a nossa inteligência (no sentido mais lato, i.e. social, emocional, racional) se desenvolve e nos definimos enquanto pessoas.
Pela minha parte, tento fomentar o lado direito do cérebro da Laura oferendo-lhe lápis de colorir e instrumentos musicais, contando-lhe histórias e participando nos seus momentos de “faz de conta”. Implica algum chinfrim e muita desarrumação, mas a Fénix não renasceu do caos das chamas?


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