domingo, 23 de março de 2014

Da poesia

Na passada Sexta-feira assinalou-se o Dia Mundial da Poesia. Através de uma notícia na RTP fiquei a saber que a poesia irá sair do programa do ensino secundário. Aparentemente desistiu-se desta arte. Os portugueses não estão sensibilizados para os versos, para lê-los ou escrevê-los. Mas eu creio que a rima (embora não seja obrigatório a poesia rimar), está no ADN dos portugueses, vislumbrando-se em muito da nossa cultura popular, nos provérbios, nas quadras dos santos populares, nas canções, e até nas adivinhas. Por isso, acredito que a poesia não vai desaparecer, é o nosso fado.
No meu tempo de estudante gostei de conhecer as obras de Camões e de Pessoa. Aprendi a encarar os poemas como quebra-cabeças, mensagens escritas em código para nós decifrarmos, através da identificação das figuras de estilo utilizadas, ou da associação das vicissitudes da vida dos autores ao que escreviam.
Também cheguei a ser autora de originais. Estava no nono ano e havia a moda de os rapazes escreverem rap e as raparigas poemas. Na altura eu tinha uma paixoneta por um colega meu e então fazia-lhe declarações de amor em código através dos meus poemas.
Gostaria que o ensino da poesia se mantivesse. É um desafio mental e emocional, uma forma de expressão que ultrapassa o papel e é a base para outras artes, por exemplo, a base dos letristas das nossas canções favoritas, como o Pedro Abrunhosa ou até mesmo o Vasco Palmeirim.

Talvez tenha sido o estigma da tristeza e desventura que fechou os corações dos portugueses à poesia, mas há poemas que nos fazem sorrir, sonhar e que nos inspiram, como “Grândola, Vila Morena”, que regressou aos lábios dos portugueses.

Sem comentários:

Enviar um comentário