Na passada Sexta-feira assinalou-se o Dia Mundial da Poesia.
Através de uma notícia na RTP fiquei a saber que a poesia irá sair
do programa do ensino secundário. Aparentemente desistiu-se desta
arte. Os portugueses não estão sensibilizados para os versos, para
lê-los ou escrevê-los. Mas eu creio que a rima (embora não seja
obrigatório a poesia rimar), está no ADN dos portugueses,
vislumbrando-se em muito da nossa cultura popular, nos provérbios, nas quadras dos
santos populares, nas canções, e até nas adivinhas. Por isso, acredito que a poesia não vai desaparecer, é o nosso fado.
No meu tempo de estudante gostei de conhecer as obras de Camões e
de Pessoa. Aprendi a encarar os poemas como quebra-cabeças,
mensagens escritas em código para nós decifrarmos, através da
identificação das figuras de estilo utilizadas, ou da associação
das vicissitudes da vida dos autores ao que escreviam.
Também cheguei a ser autora de originais. Estava no nono ano e
havia a moda de os rapazes escreverem rap e as raparigas poemas. Na
altura eu tinha uma paixoneta por um colega meu e então fazia-lhe
declarações de amor em código através dos meus poemas.
Gostaria que o ensino da poesia se mantivesse. É um desafio
mental e emocional, uma forma de expressão que ultrapassa o papel
e é a base para outras artes, por exemplo, a base dos letristas das
nossas canções favoritas, como o Pedro Abrunhosa ou até mesmo o
Vasco Palmeirim.
Talvez tenha sido o estigma da tristeza e desventura que fechou os
corações dos portugueses à poesia, mas há poemas que nos fazem
sorrir, sonhar e que nos inspiram, como “Grândola, Vila Morena”,
que regressou aos lábios dos portugueses.
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