sábado, 19 de abril de 2014

Qual é o plano?

Sábado à noite, em festa de aniversário. Alguém pergunta quem será o mais novo da mesa. A Marisa! Agradeço o elogio e infelizmente não tenho segredo a partilhar, pois deve-se à genética. Na realidade cinco pessoas sentadas àquela mesa são mais novas do que eu. Três mulheres casadas e uma, com apenas 26 anos, já é mãe.
Quando eu era criança, havia um jogo que nós meninas adorávamos brincar. Não me recordo do nome, mas consistia em escolher a idade com que queríamos vir a casar e esse número seria a chave para percorrer uma série de respostas a perguntas como com quem nos casaríamos, de que cor seria o vestido, qual o lugar da lua-de-mel, etc. As idades que apontávamos normalmente rondavam os 22 anos. Através do Facebook tenho reencontrado colegas minhas de escola que conseguiram realizar esse plano. No meu caso, vinte anos depois, a minha vida não correu nada de acordo com o que eu previra.
No ensino básico queria ser professora de inglês; no final do ensino secundário quis ser jornalista; na universidade vi-me inscrita em Direito e acabei por me formar em Turismo, curso que nunca me passou pela cabeça, embora fizesse sentido, dado o meu local de nascimento e residência.
Quando frequentava o curso de Turismo, queria conseguir um emprego na Câmara Municipal de Portimão e lá ficar até à reforma. Não aconteceu. Estou sem carreira e, francamente, sem sentido de vocação.
Concluída a Universidade, não se seguiu o casamento. Aliás, aos 25 anos já havia posto de parte esse plano quando conheci o meu primeiro namorado. Ser mãe, então, está-me interdito pelas vicissitudes da minha vida.
Comprar casa dificilmente acontecerá. A carta de condução e o carro só aconteceram aos 21 mais um ano, para ganhar confiança, o que foi triste para uma pessoa que sonhara ser a primeira criança a quem o Presidente Mário Soares concederia o privilégio de conduzir um Fiat Uno cinzento (o meu carro de eleição na altura).

Enfim, resta-me o facto de não parecer, ou sentir, a minha idade, e poder assim alimentar a esperança de vir a realizar os meus sonhos de menina.

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