Hoje fui acompanhar o doce mais doce à consulta dos 18 meses e
naquela zona de Lisboa não havia parquímetros, até recentemente.
Eu lembro-me que, por vezes, deixava lá o carro e apanhava o metro
para o centro de Lisboa. Era uma zona concorrida por isso, sendo que
era preciso ir cedo para conseguir lugar, o que não escapou ao radar
da EMEL.
Antes de vir para Lisboa, tinha apenas uma multa por
estacionamento, resultado de uma infracção indispensável, pois no
instituto onde estava a frequentar o curso de mestrado havia poucos
lugares para os carros dos alunos. Na minha ingenuidade cheguei a
apresentar-me na esquadra local da GNR e perguntar como deveria
proceder. Os oficiais riram-se e disseram que eu tinha apenas de ir a
um Multibanco e pagar a multa.
Em Lisboa, também por absoluta necessidade devido à falta de
lugares junto a um estabelecimento de ensino no Campo Grande, incorri
em, pelo menos, mais 3 infrações às regras de estacionamento,
sendo que em uma ocasião cheguei a encontrar o carro bloqueado e
noutra, eu estava com problemas no meu velho Fiesta e tive de parar
no primeiro lugar que vi, tendo sido fui multada enquanto fui chamar
o reboque, mas nenhum argumento foi válido para os gélidos corações
da EMEL.
Infelizmente, a epidemia está a alastrar-se para fora de Lisboa.
Em Loures, estava eu na fila para solicitar o subsídio de desemprego
na Segurança Social, quando vim cá fora respirar um pouco, e
vislumbrei ao longe o meu carro a ser levado num reboque. Corri,
gesticulei, gritei, e lá pararam o reboque. Onde eu estacionara é
uma zona paga. Solicitaram-me o pagamento imediato de 113 euros para
recuperar o meu carro. Eu tentei apelar à compaixão dos fiscais,
explicando o motivo da minha deslocação a Loures, zona que
desconhecia, mas em vão. Paguei, com as lágrimas as escorreram-me
pelo rosto. Até o senhor do reboque ficou com pena de mim!
Só quero saber é para onde vai todo esse dinheiro … Certamente
para os bolsos de alguns boys que arranjaram jobs agora
nestas empresas municipais. E não estarão a prejudicar o comércio
tradicional e os hotéis sem garagem privada?! Se fosse para gerir o
trânsito no centro das cidades, incitando as pessoas a deixar o
carro em casa, deveriam proporcionar melhores alternativas nos
transportes públicos, ainda que o serviço aqui seja melhor do que
no Algarve, mas quem tem andado de metro e autocarro nos últimos
tempos, não deixa de se sentir como uma sardinha em lata, para não
falar das greves.
Será que ainda vou a tempo de aprender a andar de bicicleta?!
Agora, até têm prioridade nas rotundas.
Partilha de experiências e pontos de vista de uma brasileira (Juliana) e uma algarvia (Marisa) em Lisboa.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A peúga
No ano passado, às vésperas do Natal,
terminara um relacionamento. Como por essa altura já todos os planos
de comemoração estavam feitos, e como não quis fazer alterações
de última hora, celebrei a passagem do ano com um grupo de casais
amigos, num apartamento. Escuso de dizer que o champagne teve um
gosto um pouco amargo, que nem as passas adocicaram, pois ao final
das doze badaladas não tinha um mais-que-tudo para dar o primeiro
beijo de 2013. Assim seria durante o resto do ano.
Para esta passagem de ano decidi
celebrar num sítio cheio de gente desconhecida, e lancei o desafio a
uma amiga minha, para quem 2013 também foi tudo, menos romântico.
Como a minha amiga mora fora de Lisboa,
ficou em minha casa, e como não nos tínhamos visto no Natal, assim
que ela chegou, trocámos os presentes. Contámos até três e
abrimos ao mesmo tempo. Foi a risada total! Estávamos a oferecer
exatamente a mesma coisa uma à outra … um par de peúgas grossas.
Afinal de contas temos o mesmo problema neste Inverno, ninguém para
nos aquecer os pés. Rimos mais um bocado, eu falei-lhe também na
minha nova botija de água quente elétrica (muito prática,
recomendo!), e ela na companhia que tem de quatro patas.
No dia 31, lá fomos nós, giraças,
para o Casino de Lisboa. Tivemos a sorte de calhar numa mesa perto de
uma família muito bem-disposta, e o pessoal ao serviço também foi
muito atencioso connosco. Comemos, bebemos e dançámos
descontraidamente pela noite fora.
À meia-noite a confusão era tanta
para percebermos na sala se já estava na hora, que demos as
boas-vindas a 2014 duas vezes. Houve balões, serpentinas e
confettis, viu-se o fogo-de-artifício na Expo, e assim entrámos em
2014, preenchendo o vazio de paixão, com a adrenalina da euforia
festiva e a esperança no novo ano.
De madrugada, regressámos a casa - numa
viagem de táxi periclitante, que nos fez questionar se teria sido a
melhor opção. Exaustas, fomos dormir. De novo só no meu quartinho,
recarreguei a minha botija de água quente, que coloquei a meus pés, e
adormeci reconfortada na conquista que fizera: entro em 2014 uma
mulher auto-suficiente e segura de si.
Bom Ano Novo!
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Bolo-Rei
Um dos
principais doces desta quadra é o Bolo-Rei, contudo, há algum tempo para cá já
não é exclusivo desta época. Atualmente, é possível encontrar Bolo-Rei durante
todo o ano, tendo sido introduzidas algumas variações, como o Bolo Rainha, com
chila, e a minha ideia favorita, o de chocolate. Mas não estará a ser
desvirtuado o seu sabor ao ser consumido fora de época?
Numa aula na
Restart discutíamos a criação de um centro comercial dedicado exclusivamente a
produtos nacionais. Uma colega sugeriu serem lá vendidos pastéis de Belém, ao
que eu me opus. No meu ponto de vista, comer um pastel de Belém não é só
saborear o delicioso creme e a massa crocante, é toda a experiência de ir a
Belém, aguardar na fila por uma mesa e esperar que nos seja servido acabadinho
de fazer.
A nossa
sociedade tem pouca paciência para esperar pelas coisas. Praticamente ninguém
abre as prendas de Natal no dia 25. E era uma sensação tão boa aguardar que a
noite de 24 passasse depressa para ver o que o Pai Natal nos trouxera.
As melhores
coisas da vida valem a pensa ser esperadas, como um filho, que leva 9 meses a
gerar, como o amor e a felicidade. O conceito de esperança implica fé e paciência. E como diz o ditado “quem espera,
sempre alcança”.
Um Santo
Natal!
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Fechado para balanço!
Ontem, eu e a Juliana fomos com uma amiga passear no Terreiro do
Paço para vermos o Circo das Luzes. Não resistimos ao cheirinho a
castanhas assadas e lá comprámos, a Juliana, mais comedida, meia
dúzia, e eu, mais gulosa, uma dúzia. Realmente, quentes e boas!
Por falar nestes números, faltam exactamente seis dias para o Natal e uma dúzia para o final do ano. Ainda por cima, voltou a chuva. Está mesmo a convidar passar as noites no aconchego da cama a fazer o balanço do passivo e do activo do que vivemos em 2013. É um exercício que todos nós devemos realizar, mesmo que por momentos, nos possamos sentir mais tristes e deprimidos, pelos erros que cometemos ou os planos que não realizámos, pelas pessoas que perdemos … mesmo que nos venha uma, ou escorram várias lágrimas pelo nosso rosto, temos de ter coragem de olhar o nosso passado, pois como já houve quem disse, “para saber para onde vamos, temos de saber de onde viemos”.
Não convém é ficarmos presos no passado, ou questionarmos as nossas decisões. A vida é feita de decisões, e na altura em que as tomamos, com os factos que temos disponíveis no momento, são sempre a melhor decisão. E se de facto tiver sido um erro, assumamos as suas consequências e tentemos descobrir um novo caminho para a felicidade, um novo trabalho, um novo amor, um novo País … quem sabe?
Vamos lá então fazer a nossa lista ao Pai Natal, sem nos esquecermos de agradecer ao Menino Jesus pelas bênçãos da nossa vida, e pôr igualmente no papel aquilo que nós podemos fazer por nós próprios, os nossos projectos, as nossas resoluções de ano novo.
Um Santo Natal para todos e um 2014 de sucesso!
Por falar nestes números, faltam exactamente seis dias para o Natal e uma dúzia para o final do ano. Ainda por cima, voltou a chuva. Está mesmo a convidar passar as noites no aconchego da cama a fazer o balanço do passivo e do activo do que vivemos em 2013. É um exercício que todos nós devemos realizar, mesmo que por momentos, nos possamos sentir mais tristes e deprimidos, pelos erros que cometemos ou os planos que não realizámos, pelas pessoas que perdemos … mesmo que nos venha uma, ou escorram várias lágrimas pelo nosso rosto, temos de ter coragem de olhar o nosso passado, pois como já houve quem disse, “para saber para onde vamos, temos de saber de onde viemos”.
Não convém é ficarmos presos no passado, ou questionarmos as nossas decisões. A vida é feita de decisões, e na altura em que as tomamos, com os factos que temos disponíveis no momento, são sempre a melhor decisão. E se de facto tiver sido um erro, assumamos as suas consequências e tentemos descobrir um novo caminho para a felicidade, um novo trabalho, um novo amor, um novo País … quem sabe?
Vamos lá então fazer a nossa lista ao Pai Natal, sem nos esquecermos de agradecer ao Menino Jesus pelas bênçãos da nossa vida, e pôr igualmente no papel aquilo que nós podemos fazer por nós próprios, os nossos projectos, as nossas resoluções de ano novo.
Um Santo Natal para todos e um 2014 de sucesso!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Quem veste as calças?
Dando o nosso passeio pela Baixa, Juliana no outro dia perguntou-me se “o homem português gosta de ser mandado”. Estranhei a pergunta, ao que ela respondeu contando-me uma cena caricata que testemunhou no supermercado: o marido perguntava à mulher sobre um artigo qualquer e foi descomposto como se fosse uma criança. Eu não conheço na intimidade muitos casais, mas tudo indica que os casamentos de sucesso implicam que o homem entregue as rédeas da relação à mulher. Porém, não é só em Portugal, os norte-americanos têm um ditado engraçado: “Happy wife, happy life”. Se pensarmos um pouco, os homens no geral têm fama de serem crianças em corpo adulto. Também há aqueles com complexo de Édipo que são atraídos por mulheres parecidas, em comportamento ou em aparência física, às suas mães. Por isso, talvez gostem de ser mandados e repreendidos como crianças. Sempre podem extravasar a sua frustração no trânsito ou no futebol. Pessoalmente, como mulher, acredito no ideário francês “Liberté, egalité et fraternité!”, o que pode explicar o facto de eu ainda estar solteira … Hummm, alguém me pode passar o número da senhora do supermercado?! MS
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