quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A epidemia dos parquímetros

Hoje fui acompanhar o doce mais doce à consulta dos 18 meses e naquela zona de Lisboa não havia parquímetros, até recentemente. Eu lembro-me que, por vezes, deixava lá o carro e apanhava o metro para o centro de Lisboa. Era uma zona concorrida por isso, sendo que era preciso ir cedo para conseguir lugar, o que não escapou ao radar da EMEL.
Antes de vir para Lisboa, tinha apenas uma multa por estacionamento, resultado de uma infracção indispensável, pois no instituto onde estava a frequentar o curso de mestrado havia poucos lugares para os carros dos alunos. Na minha ingenuidade cheguei a apresentar-me na esquadra local da GNR e perguntar como deveria proceder. Os oficiais riram-se e disseram que eu tinha apenas de ir a um Multibanco e pagar a multa.
Em Lisboa, também por absoluta necessidade devido à falta de lugares junto a um estabelecimento de ensino no Campo Grande, incorri em, pelo menos, mais 3 infrações às regras de estacionamento, sendo que em uma ocasião cheguei a encontrar o carro bloqueado e noutra, eu estava com problemas no meu velho Fiesta e tive de parar no primeiro lugar que vi, tendo sido fui multada enquanto fui chamar o reboque, mas nenhum argumento foi válido para os gélidos corações da EMEL.
Infelizmente, a epidemia está a alastrar-se para fora de Lisboa. Em Loures, estava eu na fila para solicitar o subsídio de desemprego na Segurança Social, quando vim cá fora respirar um pouco, e vislumbrei ao longe o meu carro a ser levado num reboque. Corri, gesticulei, gritei, e lá pararam o reboque. Onde eu estacionara é uma zona paga. Solicitaram-me o pagamento imediato de 113 euros para recuperar o meu carro. Eu tentei apelar à compaixão dos fiscais, explicando o motivo da minha deslocação a Loures, zona que desconhecia, mas em vão. Paguei, com as lágrimas as escorreram-me pelo rosto. Até o senhor do reboque ficou com pena de mim!
Só quero saber é para onde vai todo esse dinheiro … Certamente para os bolsos de alguns boys que arranjaram jobs agora nestas empresas municipais. E não estarão a prejudicar o comércio tradicional e os hotéis sem garagem privada?! Se fosse para gerir o trânsito no centro das cidades, incitando as pessoas a deixar o carro em casa, deveriam proporcionar melhores alternativas nos transportes públicos, ainda que o serviço aqui seja melhor do que no Algarve, mas quem tem andado de metro e autocarro nos últimos tempos, não deixa de se sentir como uma sardinha em lata, para não falar das greves.

Será que ainda vou a tempo de aprender a andar de bicicleta?! Agora, até têm prioridade nas rotundas.

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