quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A peúga


No ano passado, às vésperas do Natal, terminara um relacionamento. Como por essa altura já todos os planos de comemoração estavam feitos, e como não quis fazer alterações de última hora, celebrei a passagem do ano com um grupo de casais amigos, num apartamento. Escuso de dizer que o champagne teve um gosto um pouco amargo, que nem as passas adocicaram, pois ao final das doze badaladas não tinha um mais-que-tudo para dar o primeiro beijo de 2013. Assim seria durante o resto do ano.
Para esta passagem de ano decidi celebrar num sítio cheio de gente desconhecida, e lancei o desafio a uma amiga minha, para quem 2013 também foi tudo, menos romântico.
Como a minha amiga mora fora de Lisboa, ficou em minha casa, e como não nos tínhamos visto no Natal, assim que ela chegou, trocámos os presentes. Contámos até três e abrimos ao mesmo tempo. Foi a risada total! Estávamos a oferecer exatamente a mesma coisa uma à outra … um par de peúgas grossas. Afinal de contas temos o mesmo problema neste Inverno, ninguém para nos aquecer os pés. Rimos mais um bocado, eu falei-lhe também na minha nova botija de água quente elétrica (muito prática, recomendo!), e ela na companhia que tem de quatro patas.
No dia 31, lá fomos nós, giraças, para o Casino de Lisboa. Tivemos a sorte de calhar numa mesa perto de uma família muito bem-disposta, e o pessoal ao serviço também foi muito atencioso connosco. Comemos, bebemos e dançámos descontraidamente pela noite fora.
À meia-noite a confusão era tanta para percebermos na sala se já estava na hora, que demos as boas-vindas a 2014 duas vezes. Houve balões, serpentinas e confettis, viu-se o fogo-de-artifício na Expo, e assim entrámos em 2014, preenchendo o vazio de paixão, com a adrenalina da euforia festiva e a esperança no novo ano.
De madrugada, regressámos a casa - numa viagem de táxi periclitante, que nos fez questionar se teria sido a melhor opção. Exaustas, fomos dormir. De novo só no meu quartinho, recarreguei a minha botija de água quente, que coloquei a meus pés, e adormeci reconfortada na conquista que fizera: entro em 2014 uma mulher auto-suficiente e segura de si.


Bom Ano Novo!

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