Partilha de experiências e pontos de vista de uma brasileira (Juliana) e uma algarvia (Marisa) em Lisboa.
sábado, 18 de janeiro de 2014
Charme inato
É um facto que as crianças têm o poder de nos derreter o coração, ou não fossem, juntamente com os gatinhos, o tema de muitos posts e vídeos comoventes nas redes sociais, porém há uma criança em particular que me reduz a água, qual boneco de neve no deserto do Saara: a minha sobrinha Laura.
Não sou a mesma pessoa desde que me tornei tia. À primeira visão daquelas bochechas, apaixonei-me por ela, e a vida ganhou outra cor. É um privilégio acompanhar o seu crescimento e ver a sua personalidade desabrochar. Já dá para ver que vai ter o feitio da mãe, até porque nasceram sobre o mesmo signo do zodíaco (caranguejo), mas espero que os genes do pai sirvam de contrabalanço. Tem uns olhos muito expressivos e um sorriso que desarma a pessoa mais rabugenta.
Recordo a primeira vez em que me chamou tia. Senti que a minha vida ganhava outro significado e que eu teria outra função a acrescentar no meu currículo: tia da Laura. Quero ser um bom exemplo para a minha sobrinha.
Tento ajudar na educação da Laura como posso e sei, sendo disciplinadora quando é preciso, brincando com ela nas horas certas, mas às vezes não resisto ao seu charme e cometo uma infração. Como é comum nas crianças da sua idade, adora mexer onde não deve. Já sei que quando estou na cozinha e deixo de ouvir barulho na sala, ela está a fazer alguma asneira. Dirijo-me à sala e encontro-a a brincar com o comando da TV. “Laura, isso é do papá e da mamã”. Ela olha para mim, primeiro com uma expressão “ups, fui apanhada” e depois sorri “perdoa-me que eu sou fofinha”. Tiro-lhe o comando das mãos, mas não resisto a dar-lhe um abraço e um beijo repenicado. Noutra ocasião, estamos a assistir TV e ela vai até à estante e começa a tirar os livros e DVDs e a colocá-los no chão. “Laura, não mexas aí.” Ela parece acatar e volta para os seus brinquedos, mas no instante a seguir, dou com ela a olhar para a mãe e a estender a mão para os DVDs. “Será que consigo tirar um sem a mamã perceber?”, parece estar a pensar. Eu repreendo-a, mas a suster o riso. Ela faz um sorriso maroto e vem abraçar-me, eu derreto.
As crianças dominam a inteligência emocional e a Laurinha faz de mim gato-sapato. Os pais e eu podemos estar a jantar ou ver um filme, e ela querer brincar no carrinho ou ver fotos dela mesma no PC, que já sabe a quem pode sempre recorrer. Chega-se ao pé de mim, estende-me a mão e diz “Anda!”, e lá vou eu, guiada por ela, e empurro o carrinho e mostro-lhe as fotos no PC, e vou buscar a bola ou apanhar o balão, e ando com ela às cavalitas e … Ufa! É uma azáfama, mas adoro cada momento que partilho com ela.
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