É sobejamente conhecido o axioma de
que a idade é uma questão de estado de espírito. No meu caso,
quanto mais os anos passam, mais nova eu fico. Um fenómeno
semelhante ao do filme “The curious case of Benjamin Button”, no
qual a personagem interpretada por Brad Pitt, vai ficando fisicamente
mais novo ao longo dos anos. Mas, calma, embora eu não aparente ter
os meus 31 anos, não estou a querer dizer que poderão aguardar
ver-me a ser passeada por Lisboa no carrinho de bebé da Laurinha. O
que sucede é que eu despertei tarde para a vida.
Por vicissitudes que um dia explicarei
na minha biografia, a ser escrita pelo José Rodrigues dos Santos (é
uma ideia!), vivi um quarto de século em abnegação. Fiz um voto
voluntário de obediência aos meus pais e entrei na reclusão da
vida dedicada à formação académica com a promessa (vã) de que me
levaria a uma carreira através da qual me pudesse sentir realizada
enquanto ser humano.
Um dia, houve um jovem que se
interessou por mim e eu comecei a pensar que poderia haver outro rumo
para a minha vida, mas quando o sonho de casamento estava em vias de
se tornar realidade, assustei-me e vim para Lisboa. Apercebi-me de
que ainda não tinha vivido e que não queria trocar uma forma de
reclusão, pela outra, e a obediência aos meus pais, pela dedicação
a um marido.
Os meus pais nunca me proibiram de sair
à noite com os meus colegas de escola, mas eu sabia que não iriam
dormir enquanto eu não chegasse a casa e isso pesava-me na
consciência. O mesmo se passava quando eu comecei a trabalhar por
turnos. Não sei se por ser a mais nova, mas o meu bem-estar sempre
foi motivo de ansiedade para os meus pais, algo que me deixa
enternecida (e vaidosa, confesso), porém ao mesmo tempo, incómoda.
Em Lisboa tenho seguido a formação
académica (da qual não consigo desistir, apesar do esforço e das
desilusões), mas o principal objetivo da minha vinda foi angariar
experiências e recordações. Sempre me divertia quando vinha
visitar a minha irmã e o meu cunhado, depois fiz novos amigos na
Universidade e recuperei velhas amizades, com as quais o destino me
fez novamente cruzar caminho. Comecei com noitadas com a minha irmã,
depois jantaradas com os colegas, cinema, teatro e discotecas com as amigas e, no ano
passado, fui ao meu primeiro grande concerto (Bruno Mars). Este ano
já comprei o bilhete para o Rock in Rio Lisboa, quero ver se consigo alguém
que me leve a andar de mota e quero ir à Serra da Estrela ver neve.
Ontem foi o jantar de turma da Restart.
A maioria dos meus colegas tem vinte e poucos anos, mas têm mais
experiência de vida (e maturidade, confesso) do que eu. Junto dos
meus colegas sinto-me mais jovem e isso transparece igualmente no
exterior, até porque mudei o meu visual: cortei o cabelo e uso roupas
mais descontraídas e despretensiosas. Ninguém me assinala no grupo
como sendo a mais velha. Eles são super divertidos e eu aprendo
muito com eles. Só me lembrei que tinha 31 anos, quando chegou a
hora de irmos para casa e eu senti-me na obrigação de garantir que
tinham boleia.
Eventualmente, quero reencontrar-me com
a minha geração e traçar o caminho que conduza aos três grandes “C”s:
Carreira, Casa e Casamento. Até lá, ainda gostaria de primeiro
aprender a andar de bicicleta.
Sem comentários:
Enviar um comentário