sábado, 25 de janeiro de 2014

The curious case of Marisa Serrenho

É sobejamente conhecido o axioma de que a idade é uma questão de estado de espírito. No meu caso, quanto mais os anos passam, mais nova eu fico. Um fenómeno semelhante ao do filme “The curious case of Benjamin Button”, no qual a personagem interpretada por Brad Pitt, vai ficando fisicamente mais novo ao longo dos anos. Mas, calma, embora eu não aparente ter os meus 31 anos, não estou a querer dizer que poderão aguardar ver-me a ser passeada por Lisboa no carrinho de bebé da Laurinha. O que sucede é que eu despertei tarde para a vida.
Por vicissitudes que um dia explicarei na minha biografia, a ser escrita pelo José Rodrigues dos Santos (é uma ideia!), vivi um quarto de século em abnegação. Fiz um voto voluntário de obediência aos meus pais e entrei na reclusão da vida dedicada à formação académica com a promessa (vã) de que me levaria a uma carreira através da qual me pudesse sentir realizada enquanto ser humano.
Um dia, houve um jovem que se interessou por mim e eu comecei a pensar que poderia haver outro rumo para a minha vida, mas quando o sonho de casamento estava em vias de se tornar realidade, assustei-me e vim para Lisboa. Apercebi-me de que ainda não tinha vivido e que não queria trocar uma forma de reclusão, pela outra, e a obediência aos meus pais, pela dedicação a um marido.
Os meus pais nunca me proibiram de sair à noite com os meus colegas de escola, mas eu sabia que não iriam dormir enquanto eu não chegasse a casa e isso pesava-me na consciência. O mesmo se passava quando eu comecei a trabalhar por turnos. Não sei se por ser a mais nova, mas o meu bem-estar sempre foi motivo de ansiedade para os meus pais, algo que me deixa enternecida (e vaidosa, confesso), porém ao mesmo tempo, incómoda.
Em Lisboa tenho seguido a formação académica (da qual não consigo desistir, apesar do esforço e das desilusões), mas o principal objetivo da minha vinda foi angariar experiências e recordações. Sempre me divertia quando vinha visitar a minha irmã e o meu cunhado, depois fiz novos amigos na Universidade e recuperei velhas amizades, com as quais o destino me fez novamente cruzar caminho. Comecei com noitadas com a minha irmã, depois jantaradas com os colegas, cinema, teatro e discotecas com as amigas e, no ano passado, fui ao meu primeiro grande concerto (Bruno Mars). Este ano já comprei o bilhete para o Rock in Rio Lisboa, quero ver se consigo alguém que me leve a andar de mota e quero ir à Serra da Estrela ver neve.
Ontem foi o jantar de turma da Restart. A maioria dos meus colegas tem vinte e poucos anos, mas têm mais experiência de vida (e maturidade, confesso) do que eu. Junto dos meus colegas sinto-me mais jovem e isso transparece igualmente no exterior, até porque mudei o meu visual: cortei o cabelo e uso roupas mais descontraídas e despretensiosas. Ninguém me assinala no grupo como sendo a mais velha. Eles são super divertidos e eu aprendo muito com eles. Só me lembrei que tinha 31 anos, quando chegou a hora de irmos para casa e eu senti-me na obrigação de garantir que tinham boleia.

Eventualmente, quero reencontrar-me com a minha geração e traçar o caminho que conduza aos três grandes “C”s: Carreira, Casa e Casamento. Até lá, ainda gostaria de primeiro aprender a andar de bicicleta.  

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