Ter uma conversa através de texto com alguém é sempre
complicado porque nos falta dar a entoação certa. É muito fácil
sermos mal interpretados. Certo dia “teclava” com um amigo e
fiz-lhe um comentário que deveria ser interpretado como humorístico,
mas foi tomado como uma crítica. É certo que já não o via há
muitos anos antes de retomarmos o contacto e que o meu sentido de
humor apurou-se desde a infância, mas a maneira como se defendeu no
assunto em questão, leva-me a acrescentar outro factor à falha de
comunicação: o género.
Se tivesse sido um amigo homem a fazer o comentário, talvez fosse
interpretado como piada, mas sendo uma mulher, só poderia ser uma de
duas coisas: uma crítica ou uma cobrança. Nem todas as mulheres são
iguais. Para além de loiras, ruivas ou morenas, também nos
diferenciamos no feitio. Há as que são mais tranquilas, agressivas
ou indiferentes. Não somos todas farinha do mesmo saco.
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa calma que detesta
conflitos e prefere ficar calada a dizer uma parvoíce. Fico um pouco
magoada em ser o alvo de generalizações com base em más
experiências vividas ou transmitidas de amigo para amigo, ou
estereótipos popularizados pelos media.
Sempre me pautei pela máxima “não faças aos outros aquilo que
não gostarias que fizessem a ti”. Se quero paz e bom astral para
mim, não vou procurar discussões e provocar a perturbação de
outros.
Também já tive os meus dissabores e desilusões, mas o que
aprendi sobre o ser humano, e recorrendo a outra metáfora também
popular, é que as pessoas são como as cebolas: têm várias
camadas, e, assim como as cebolas, muitas fazem-nos chorar, mas nem
todas ...
Sem comentários:
Enviar um comentário